Páginas

Este blog não pretende ser um tratado do nosso vernáculo. Destina-se àqueles que querem aprender a escrever corretamente. Lapidar as palavras e transformá-las em verdadeiras jóias (bem dispostas no texto, de forma a traduzir o pensamento e publicar as idéias) é o que busca todo o artesão da palavra.

sábado, 20 de setembro de 2008

Motivo



Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
- não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada.
(Cecília Meireles)

E você, qual é a razão do seu cantar?

Um pouco sobre a autora:
Cecília Meireles, filha do senhor Carlos Alberto de Carvalho Meireles e de dona Matilde Benevides, nasceu no Rio de Janeiro dia 07 de novembro de 1901. Diplomou-se professora pela Escola Normal do Instituto de Educação do Rio de Janeiro.
Em 1934, ela organizou nossa primeira biblioteca infantil, no Pavilhão Mourisco, em Botafogo.
Foi educada pela avó materna, pois, nasceu pouco depois da morte do pai e perdeu a mãe antes de completar três anos de idade. Ela diz sobre sua infância: "Minha infância de menina sozinha deu-me duas coisas que parecem negativas, e foram sempre positivas para mim: silêncio e solidão. Essa foi sempre a área da minha vida. Área mágica, onde os caleidoscópios inventaram fabulosos mundos geométricos, onde os relógios revelaram o segredo do seu mecanismo, e as bonecas o jogo do seu olhar. Mais tarde, foi nessa área que os livros se abriram, e deixaram sair suas realidades e seus sonhos, em combinação tão harmoniosa que até hoje não compreendo como se possa estabelecer uma separação entre esses dois tempos de vida, unidos como os fios de um pano".
(Literatura Comentada)
..

Nenhum comentário:

Pesquisa personalizada