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Este blog não pretende ser um tratado do nosso vernáculo. Destina-se àqueles que querem aprender a escrever corretamente. Lapidar as palavras e transformá-las em verdadeiras jóias (bem dispostas no texto, de forma a traduzir o pensamento e publicar as idéias) é o que busca todo o artesão da palavra.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Concordância Verbal - Sujeito Simples


Casos de Sujeito Simples que Merecem destaque:
Há muitos casos em que o sujeito simples é constituído de formas que fazem o falante hesitar no momento de estabelecer a concordância com o verbo. Em alguns desses casos, a concordância puramente gramatical é contaminada pelo significado de expressões que nos transmitem noção de plural apesar de terem forma de singular ou vice-versa. Por isso, convém analisar com cuidado algumas delas.
  1. Expressões Partitivas: Quando o sujeito é formado por uma expressão partitiva (parte de, uma porção de, o grosso de, metade de, a maioria de, a maior parte de, grande parte de) seguida de um substantivo ou pronome no plural, o verbo pode ficar no singular ou no plural. Exemplos: A maioria dos jornalistas aprovou/aprovaram a idéia. Metade dos candidatos não apresentou/apresentaram nenhuma proposta interessante. Um bando de vândalos destruiu/destruíram o monumento. Nesses casos, o uso do verbo no singular enfatiza a unidade do conjunto; já a forma plural confere destaque aos elementos que formam esse conjunto.
  2. Expressões que indicam quantidade aproximada: Quando o sujeito é formado por expressão que indica quantidade aproximada (cerca de, mais de, menos de, perto de) seguida de numeral e substantivo, o verbo concorda com o substantivo. Observe: Cerca de 3.000 pessoas aplaudiram o discurso.
    Perto de oitocentos mulheres compareceram ao chá beneficente. Mais de um atleta estabeleceu novo recorde nas Olimpíadas. Quando a expressão mais de um se associar a verbos que exprimem reciprocidade, o plural é obrigatório. Mais de um deputado se ofenderam na tumultuada sessão de ontem.
  3. Nomes Próprios: Quando se trata de nomes próprios, a concordância deve ser feita levando-se em conta a ausência ou presença de artigo. Sem artigo, o verbo deve ficar no singular. Quando há artigo no plural, o verbo deve ficar no plural. Observe: Os Estados Unidos derterminam o fluxo da atividade econômica no mundo. Minas Gerais produz queijo e poesia de primeira. As Minas Gerais são inesquecíveis. Alagoas impressiona pela beleza das praias e pela pobreza da população. Os Sertões imortalizaram Euclides da Cunha. Observação: Com nome de obra no plural, com artigo no plural, o verbo ser pode ficar no singular, desde que o predicativo do sujeito esteja no singular: "Os Sertões é a obra máxima de Euclides da Cunha".
  4. Quais de nós/quais de vós: Quando o sujeito é um pronome interrogativo ou indefinido plural (quais, quantos, alguns, poucos, muitos, quaisquer, vários) seguido de de nós ou de vós, o verbo pode concordar com o primeiro pronome (na terceira pessoa do plural) ou com o pronome pessoal. Observe: Quais de nós são/somos capazes? Alguns de vós sabiam/sabíeis do caso? Vários de nós propuseram/propusemos sugestões inovadoras. Observe que a opção por uma ou outra indica a inclusão ou a exclusão do emissor. Quando alguém diz ou escreve "Alguns de nós sabíamos de tudo e nada fizemos.", está-se incluindo no grupo de omissos. Isso não ocorre quando alguém diz ou escreve "Alguns de nós sabiam de tudo e nada fizeram.", frase que soa como uma denúncia. Nos casos em que o interrogativo ou indefinido estiver no singular, o verbo ficará no singular: Qual de nós é capaz? Algum de vós fez isso.
  5. Porcentagens: Quando o sujeito é formado por uma expressão que indica porcentagem seguida de substantivo, o verbo deve concordar com o substantivo. Observe: 25% do orçamento do país deve destinar-se à Educação. 85% dos moradores do prédio não aprovaram a administração do síndico. 1% do eleitorado aceita a mudança. 1% dos alunos faltaram à prova. Quando a expressão que indica porcentagem não é seguida de substantivo, o verbo deve concordar com o número. Veja: 25% querem a mudança. 1% conhece as implicações.
  6. Sujeito que: Quando o sujeito é o pronome relativo que, a concordância em número e pessoa é feita com o antecedente desse pronome. Observe: Fui eu que limpei o chão. Fomos nós que editamos o jornal. És tu que me fazes ver o sentido da vida. Ainda existem mulheres que ficam vermelhas na presença de um homem.
  7. Um dos que: Com a expressão um dos que, o verbo deve assumir a forma plural: Ademir da Guia foi um dos jogadores de futebol que mais encantaram os poetas. Se você é um dos que admiram o escritor, certamente lerá seu novo romance. A tendência, na linguagem corrente, é a concordância no singular. O que se ouve efetivamente é "Ele foi um dos deputados que mais lutou para a aprovação da emenda.". Faça a comparação com um caso em que se use um adjetivo. Você diria "Ela é uma das alunas mais brilhantes da sala."? Claro que não! Das alunas mais brilhantes da sala, ela é uma. Do mesmo modo, dos deputados que mais lutaram pela aprovação da emenda, ele é um. Então o raciocínio lógico mostra que o verbo no singular é inaceitável. Dito isto, o correto seria dizer: "Ele foi um dos deputados que mais lutaram para a aprovação da emenda.".
  8. Sujeito quem: Quando o sujeito é o pronome realtivo quem, pode-se utilizar o verbo na terceira pessoa do singular ou em concordância com o antecedente do pronome. Observe: Fui eu quem pagou a conta. / Fui eu quem paguei a conta. Fomos nós quem pintou o muro. / Fomos nós quem pintamos a casa.
Nota: Com nome de obra no plural, com artigo no plural, o verbo ser pode ficar no singular, desde que o predicativo do sujeito esteja no singular: "Os Lusíadas é a obra máxima de Camões".

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