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Este blog não pretende ser um tratado do nosso vernáculo. Destina-se àqueles que querem aprender a escrever corretamente. Lapidar as palavras e transformá-las em verdadeiras jóias (bem dispostas no texto, de forma a traduzir o pensamento e publicar as idéias) é o que busca todo o artesão da palavra.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Literatura - A Um Poeta



A Um Poeta


Longe do estéril turbilhão da rua,
Beneditino, escreve! No aconchego
Do claustro, na paciência e no sossego,
Trabalha, e teima, e lima, e sofre, e sua!

Mas que na forma de disfarce o emprego
Do esforço; e a trama viva se construa
De tal modo, que a imagem fique nua,
Rica mas sóbria, como um templo grego.

Não se mostre na fábrica o suplício
Do mestre. E, natural, o efeito agrade,
Sem lembrar os andaimes do edifício:

Porque a Beleza, gêmea da Verdade,
Arte pura, inimiga do artifício,
É a força e a graça na simplicidade.


O Parnasianismo é a manifestação  poética da época do Realismo. É a estética da "arte pela arte", com seus poetas à margem das grandes transformações do final do século XIX e início do século XX.
O traço mais característico da poética parnasiana é o culto da forma: a forma fixa representada pelos sonetos; a métrica dos versos alexandrinos (12 sílabas poéticas) e decassílabos perfeitos; a rima rica, rara e perfeita. Baseava-se no binômio objetividade temática/culto da forma. Bilac assim descreve o culto à forma:
"Assim procedo. Minha pena
Segue esta norma.
Por te servir, Deusa Serena,
Serena Forma."

Um pouco sobre o autor:
Patrono do Serviço Militar - "Se todas as pessoas usufruem das benesses da Pátria, nada mais justo que participem de sua defesa."

Natural do Rio de Janeiro, Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac, filho de Delfina de Paula dos Guimarães Bilac e do Dr. Brás Martins dos Guimarães Bilac, nasceu dia 06 de dezembro de 1865. Contemporâneo de Machado de Assis, Alberto de Oliveira, Coelho Neto e José do Patrocínio, foi membro fundador da Academia Brasileira de Letras. Escreveu a letra do Hino à Bandeira.
Em uma homenagem oferecida a ele em dezembro de 1907, disse: "O que estais, como brasileiros, louvando e premiando nesta sala, é o trabalho árduo, fecundo, revolucionário, corajoso da geração literária a que pertenço, e o papel definido, preciso, dominante, que essa geração conquistou, com o seu labor, para o homem de letras, no seio da civilização brasileira.
"Que fizemos nós? Fizemos isto: transformamos o que era até então um passatempo, um divertimento, naquilo que é hoje uma profissão, um culto, um sacerdócio; estabelecemos um preço para o nosso trabalho, porque fizemos desse trabalho uma necessidade primordial da vida moral e da civilização da nossa terra..."
Em 1907 foi eleito "Príncipe dos Poetas Brasileiros", num concurso patrocinado pela revista Fon-Fon.
O grande amor de Bilac foi Amélia de Oliveira, irmã do poeta Alberto de Oliveira. Porém, Olavo Bilac não se casou e nem teve filhos, mas interessou-se pela educação infantil. Escreveu diversos livros escolares, ora sozinho, ora em co-autoria com Coelho Neto ou com Manuel Bonfim. Por causa de seu envolvimento político, esteve preso e resolveu exilar-se em Minas Gerais, até que a situação política se acalmasse no Rio de Janeiro.
O Príncipe dos Poetas morreu em 1918.

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