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Este blog não pretende ser um tratado do nosso vernáculo. Destina-se àqueles que querem aprender a escrever corretamente. Lapidar as palavras e transformá-las em verdadeiras jóias (bem dispostas no texto, de forma a traduzir o pensamento e publicar as idéias) é o que busca todo o artesão da palavra.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Concordância Verbal - Sujeito Composto

Casos de sujeito composto que merecem destaque:
  1. Quando o sujeito composto é formado por núcleos sinônimos ou quase sinônimos, o verbo pode ficar no plural ou no singular:
    Descaso e desprezo marcam/marca seu comportamento.


  2. Quando o sujeito composto é formado por núcleos dispostos em gradação, o verbo pode ficar no plural ou concordar com o último núcleo do sujeito:
    Com você, meu amor, uma hora, um minuto, um segundo me satisfazem/satisfaz.
    No primeiro caso, o verbo enfatiza a unidade de sentido que há na combinação descaso/desprezo. No segundo caso, o verbo no singular enfatiza o último elemento da série gradativa.
  3. Quando os núcleos do sujeito composto são unidos por ou ou nem, o verbo deverá ficar no plural se a declaração contida no predicado puder ser atribuída a todos os núcleos:
    Drumond ou Bandeira representam a essência da poesia brasileira.
    Nem o professor nem o aluno acertaram a resposta.

    Se a declaração contida no predicado só puder ser atribuída a um dos núcleos do sujeito, ou seja, se os núcleos forem excludentes, o verbo deverá ficar no singular.
    Ex.: Roma ou Buenos Aires será a sede da próxima Olimpíada.
    Você ou ele será escolhido. (Só será escolhido um.)
  4. Com as expressões um ou outro e nem um nem outro, a concordância costuma ser feita no singular, embora o plural também seja praticado. Com a locução um e outro, o plural é mais frequente, embora também se use o singular. Não há uniformidade no tratamento dado a essas expressões por gramáticos e escritores.
  5. Quando os núcleos do sujeito são unidos por com, o verbo pode ficar no plural. Nesse caso, os núcleos recebem um mesmo grau de importância e a palavra com tem sentido muito próximo ao de e:
    O pai com o filho montaram o brinquedo.
    O governador com o secretariado
    traçaram os planos para o próximo semestre.
    Nesse mesmo caso, o verbo pode ficar no singular, se a ideia é enfatizar o primeiro elemento.
    O pai com o filho montou o brinquedo.
    O governador com o secretariado traçou os planos para o próximo semestre.
    Nota: Com o verbo no singular, não se pode falar em sujeito composto. O sujeito é simples. As expressões "com o filho" e "com o secretariado" são adjuntos adverbiais de companhia. Na verdade, é como se houvesse uma inversão da ordem:
    "O pai montou o brinquedo com o filho. " / "O governador traçou os planos para o próximo semestre com o secretariado.".
  6. Quando os núcleos do sujeito são unidos por expressões correlativas como não só... como também; não só... mas ainda; não somente... mas ainda; não apenas... mas também; tanto... quanto, o verbo concorda de preferência no plural: Não só a seca mas também o pouco-caso castigam o Nordeste. Tanto a mãe quanto o filho ficaram surpresos com a notícia.
  7. Quando os elementos de um sujeito composto são resumidos por um aposto recapitulativo, a concordância é feita com esse termo resumidor: Pontes, viadutos, túneis, nada disso é prioritário em uma cidade como São Paulo. Filmes, novelas, boas conversas, nada o tirava da apatia.

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