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Este blog não pretende ser um tratado do nosso vernáculo. Destina-se àqueles que querem aprender a escrever corretamente. Lapidar as palavras e transformá-las em verdadeiras jóias (bem dispostas no texto, de forma a traduzir o pensamento e publicar as idéias) é o que busca todo o artesão da palavra.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Pontuação - Emprego da Vírgula I





A vírgula marca uma pausa de pequena duração. Emprega-se não só para separar elementos de uma oração, mas também orações de um só período.
  1. No interior da oração serve:
    1. Para separar elementos que exercem a mesma função sintática (sujeito composto, complementos, adjuntos), quando não vêm unidos pelas conjunções e, ou e nem. Exemplos:



      - Eu, você, suas irmãs, o Trindade, nossos amigos, deveríamos ser lacrados todos dentro do Solar. (Geraldo França de Lima)
      - Ribas, quinze anos, era feio, magro, linfático. (Raul Pompéia)
      - Na ponta do banco, despedia-se constantemente dos seres, das coisas, das árvores, da vida. (Augusto Frederico Schmidt)
      - Falei pela veneração, pela estima, pelo afeto, para cumprir um dever amargo, um dever amaríssimo. (Machado de Assis)
      - Assim convalesceu longamente, demoradamente, melancolicamente sem uma visita, sem uma face amiga. (Lima Barreto)

      Observação:
      Quando as conjunções e, ou, e nem vêm repetidas numa enumeração, costuma-se separar por por vírgula os elementos coordenados, como nestes exemplos:
      - Abrem-se lírios, e jasmins, e rosas. (Alberto de Oliveira)
      - Vai o fero Itajuba perseguir-vos Por água ou terra, ou campos, ou florestas; Tremei!... (Gonçalves Dias)
      - Pois nem fantasmas, nem torrentes, nem salteadores, nem serpentes prevaleceram no meu chão. (Guilherme de Almeida)
    2. Para separar elementos que exercem funções sintáticas diversas, geralmente com a finalidade de realçá-los. Em particular, a vírgula é usada:



      1. para isolar o aposto, ou qualquer elemento de valor meramente explicativo: - Todo ele, olhos e pensamento, estava no camarote de Guiomar. (Machado de Assis)
        - O caixa começou a mastigar, branco, nauseado, engasgado. (Carlos Drummond de Andrade)
      2. para isolar o vocativo:
        - D. Glória, a senhora persiste na idéia de meter o nosso Bentinho no seminário? (Machado de Assis)
      3. para isolar o adjunto adverbial antecipado:
        - Durante o jantar, o assunto foi só esse. (Mário Palmério)

        Observação:
        Quando os adjuntos adverbiais são de pequeno corpo(um advérbio, por exemplo), costuma-se dispensar a vírgula. A vírgula é, porém, de regra quando se pretende realçá-los. Comparem-se estes passos:
        - Depois olhou o garotinho magro. (Raquel de Queirós)
        - Depois, as coisas mudaram. (Carlos Drummond de Andrade)
      4. para isolar os elementos pleonásticos ou repetidos:
        - Eu, que só me contentaria com o calcar o universo aos pés,
        Calcar, calcar, calcar até não sentir... (Álvaro de Campos)

    3. Emprega-se a VÍRGULA no interior da oração:



      1. para separar, na datação de um escrito, onome do lugar:
        - Rio de Janeiro, 2 de junho de 2010.
      2. para indicar a supressão de uma palavra (geralmente o verbo) ou de um grupo de palavras:
        - Na sala, apenas quatro ou cinco mulheres. (Mário Palmério).
         
      Na próxima postagem falaremos sobre o emprego da vírgula entre orações.



      (Extraído  da Gramática do Português Contemporâneo - Celso Cunha )


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