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Este blog não pretende ser um tratado do nosso vernáculo. Destina-se àqueles que querem aprender a escrever corretamente. Lapidar as palavras e transformá-las em verdadeiras jóias (bem dispostas no texto, de forma a traduzir o pensamento e publicar as idéias) é o que busca todo o artesão da palavra.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Confissões de um Poeta a uma adolescente

O título da postagem se deve a impressão que esta foto e as palavras do poema de Carlos Drummond  imprimem na nossa percepção. Um encontro de gerações onde o poeta fala um pouco de si e de sua forma de enxergar o cotidiano a uma adolescente que ele encontrou por acaso no banco do calçadão.

Poema de Sete Faces
                     Carlos Drummond de Andrade

Quando Nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser guache na vida.



As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.

O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que  eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.


Um pouco sobre Carlos Drummond de Andrade.
Nasceu em Itabira - MG. Filho de Carlos de Paula Andrade e de D. Julieta Augusto Drummond de Andrade. Em 1920 passa a residir em Belo Horizonte e inicia sua carreira jornalística e poética.
1923-1925, faz o curso de Farmácia em Belo Horizonte e entra em contato com o grupo modernista de São Paulo. A fermentação modernista, que caracteriza a vida da intelectualidade brasileira dos anos 20, chega, igualmente, às terras mineiras. Casa-se em 1925 e no mesmo ano funda a Revista, órgão do modernismo mineiro, juntamente com Emílio de Moura, Martins de Almeida e Gregoriano Canedo; o grupo mineiro propõe a reformulação dos padrões estético-literários brasileiros.
Em 1928 publica na Revista de Antropologia, de São Paulo, o poema "No meio do caminho" e inicia sua carreira de funcionário público, na Secretaria de Educação de Minas Gerais.
Em 1934 muda-se para o Rio de Janeiro. No Rio, colabora, primeiro, na Revista Acadêmica, de ex-estudantes cariocas, e, alternadamente, nos periódicos Correio da manhã, Folha Carioca, revista Euclydes, A manhã, Leitura, Tribuna Popular, Política e Letras, voltando a frequentar as páginas do Minas Gerais, no final dos anos 40. 
O poeta teve atividade literária intensa e foi funcionário público durante a maior parte da sua vida.
Drummond, como os modernistas, proclama a liberdade das palavras, uma libertação do idioma que autoriza modelação poética à margem das convenções usuais. Segue a libertação proposta por Mário e Oswald de Andrade; com a instituição do verso livre, acentua-se a libertação do ritmo, mostrando que este não depende de um metro fixo (impulso rítmico). 
Em 1987, falece no Rio de Janeiro o imortal poeta mineiro.

Extraído de Literatura comentada e do site wikipedia.

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