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Este blog não pretende ser um tratado do nosso vernáculo. Destina-se àqueles que querem aprender a escrever corretamente. Lapidar as palavras e transformá-las em verdadeiras jóias (bem dispostas no texto, de forma a traduzir o pensamento e publicar as idéias) é o que busca todo o artesão da palavra.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Soneto - Vaso Grego - Alberto de Oliveira


Esta, de áureos relevos, trabalhada
De divas mãos, brilhante copa, um dia,
Já de aos deuses servir como cansada,
Vinda do Olimpo, a um novo deus servia.

Era o poeta de Teos que a suspendia
Então e, ora repleta ora esvazada,
A taça amiga aos dedos seus tinia
Toda de roxas pétalas colmada.

Depois... Mas o lavor da taça admira,
Toca-a, e, do ouvido aproximando-a, às bordas
Finas hás de lhe ouvir, canora e doce,

Ignota voz, qual se da antiga lira
Fosse a encoantada música das cordas,
Qual se essa a voz de Anacreonte fosse.



"Vaso grego" de Alberto de Oliveira, é considerado um dos sonetos mais representativos do Parnasianismo. Você saberia dizer quais as características que o enquadram no estilo Paranasiano?
De influência francesa, o Parnasianismo se caracteriza pela busca da "arte pela arte" ou da "arte sobre a arte". A poética Parnasiana, assumiu uma postura anti-romântica. Baseava-se no binômio objetividade temática/culto da forma. Opunha-se ao subjetivismo decadente o universalismo - daí uma poesia carregada de descrições objetivas e impessoais. Retorna-se a Antiguidade Clássica e o seu racionalismo e formas perfeitas. Surge a poesia da meditação, filosófica, mas artificial.
Entretanto, o traço mais característico da poética parnasiana é o culto da forma: a forma fixa representada pelos sonetos; a métrica dos versos alexandrinos (12 sílabas poéticas) e de decassílabos perfeitos; a rima rica, rara e perfeita. Tudo isso contrapondo-se aos versos livres e brancos. Em suma, é o endeusamento da Forma como afirma Olavo Bilac:
Assim procedo. Minha pena
Segue esta norma.
Por te servir, Deusa Serena,
Serena Forma.

Alberto de Oliveira
Antonio Mariano Alberto de Oliveira nasceu em Palmital de Saquarema, Rio de janeiro, a 28 de abril de 1857. Forma-se em farmácia; abandona o curso de Medicina no terceiro ano.  Data de 1857 sua amizade com Olavo Bilac e Raimundo Correia; é um dos sócios fundadores da Academia Brasileira de Letras. Em 1924, já em Pleno Modernismo e sob o impacto da Semana, é eleito Príncipe dos Poetas, no lugar deixado vago por Olavo Bilac ( Os "príncipes" sempre foram parnasianos). Morre a 19 de janeiro de 1937, em Niterói.

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